Faça tudo como se fosse a PRIMEIRA vez

 

02 Set

Um olhar firme. Uma voz segura. E aquele conselho-que-parece-quase-uma-certeza a alguém mais próximo: faça isso como se fosse a última vez!

Já ouviram essa frase? Já seguiram essa frase? Mais novos falam. Mais velhos também. Conselho que parece atravessar gerações. Tempo tão grande quanto um certo questionamento? Ou melhor, questionamentos.

É pra seguir mesmo esse conselho? Temos mesmo que fazer as coisas como se fosse a última vez ?

As respostas respeitam, claro, as individualidades. E andam junto à elas. Mas, não nos impedem de fazer reflexões e/ou alertas sobre tal conselho. O caminho da última vez, na minha simples opinião, traz consigo riscos. Entre os maiores: acomodação, zona de conforto, descanso, autossuficiência, relaxamento e falta de concentração. Justamente pelo fato de ser a última vez.

Vamos percorrer o caminho contrário para poder entender um pouco mais esse ponto de vista?

Lembra da sua primeira entrevista de emprego? Normalmente numa situação dessa, as pessoas se preparam ao máximo. Pesquisam comportamentos, vídeos, estudam, pensam nas roupas adequadas, revisam, anotam tópicos que precisam falar, pedem dicas aos amigos e até perdem o sono, jogando o máximo de dedicação, entrega e vontade, além da ansiedade, para aquela primeira vez tão importante que pode ser definitiva para novos caminhos, para um novo futuro.

E aquela primeira vez profissional que te exige ainda mais? Por exemplo, a primeira vez que apresentei um programa ao vivo. Além da emoção ao receber a noticia, veio a extrema necessidade de estudar ainda mais os detalhes, de treinar mais, testar, aquecer a voz, pensar na roupa, fazer oração, revisar textos... um ciclo de ansiedade- atenção- entrega muito importante. Visão mais que 360. Visão-com-emoção. Visão -com -comprometimento. Mesmo com a natural falta de experiencia. Essa entrega é essencial.

Com o passar do tempo, com a experiência, vem a autoconfiança. Mais tempo. Mais experiência e aí surge um risco mortal para todo e qualquer profissional que busca a excelência. O risco de que essa autoconfiança se transforme em autossuficiência. E aí logo aparece um perigoso ciclo do eu sei- eu posso- eu consigo- eu sou experiente- não preciso mais pensar em detalhes.

Passos ruins de acomodação. Na zona de conforto. Na quietude. Na falsa-tranquilidade-que-engana. As consequências são as piores. O profissional nesse ritmo perde. Se perde. E faz os outros perderem.

Antídoto? O sentimento permanente da primeira vez. Aliás, as ações semelhantes a cada primeira vez. E mais ainda. Uma emoção semelhante a cada primeira vez. Tente resgatar esse processo interno. Tente manter e ampliar esse sentimento. E o melhor: tente compartilhar esse sentimento. Ações essenciais para conquistas duradouras. Caso contrário, adeus excelência, ou melhor, era uma vez...