Passos de Esperança

 

31 Ago

Pouca gente sabe. Pouca mesmo. Mas no início da carreira (e logo como repórter, mesmo ainda estando no segundo período da faculdade) durante quase três anos trabalhei de graça. Isso. Sem receber nenhum centavo. Não tenho vergonha em falar. Não indico a ninguém, mas não me arrependo em nada de ter encarado essa condição.

E esse período trabalhando sem remuneração foi justamente o momento financeiro mais complicado para minha família (bem diferente de um passado de mais conforto e ótimas condições). Um período de grande aprendizado e força.

Tá aí uma palavra que resume bem esses anos- força! Além de uma grande convicção do que poderia vir pela frente. Aliás, do que viria pela frente.

Quem conhece minha casa sabe que para chegar até a parada de ônibus, precisamos andar cerca de 1km. Isso. Andar. Passos apressados. Muito calor. E a vontade enorme de trilhar um caminho diferente.

Nesses anos sem remuneração e de muita caminhada para poder pegar o ônibus e ir ao trabalho, muitos pensamentos. As reclamações, os murmúrios e as lamentações insistiam em vir a mente. Uma luta grande. Para que não durassem na mente e não chegassem ao coração!

Pela frente, além do suor e das dificuldades, dois caminhos: esse do reclamar. Do Lamentar. Do Murmurar. O foco no problema.

Ou o que optei: O do ir à luta. O da prática. O do agir. O foco na solução!!!Todos os dias o pensamento era de que não adiantava reclamar. Só o trabalho, o estudo, a dedicação e, acima de tudo, a Fé, poderiam mudar aquilo e levar a um caminho tão desejado de mais realizações profissionais. Carrego isso comigo até hoje. Aliás. Pra sempre.

E aí novas palavras se massificaram no “Duro-dicionário-da- vida-de-alto-rendimento: abdicação. Foco. Resiliência. E um verbo chatinho- o engolir. Engolir sapo? Muitas vezes! Quem nunca? Engolir o choro? Ainda mais! Ele até que veio. Mas também se transformou muitas outras vezes em lágrimas de gratidão, de conquistas e de FÉlicidade

Novos desafios profissionais apareceram nesse caminho. Novas oportunidades. Novos reconhecimentos. E aquela certeza sempre lá- só o estudo, o trabalho, a preparação e a FÉ que podem nos levar a caminhos ainda melhores. Melhor hoje do que ontem. Melhor amanhã do que hoje!

E lembra da tal caminhada no período sem remuneração? Ativo sempre na memória para servir de bons sentimentos e de motivação. Sobretudo nos momentos mais “complicados”. E sabe onde me lembrei muito dela e acima de tudo a senti bastante? Ano de 2010. África do Sul. Trabalhando na Cobertura da Copa do Mundo. Dia do primeiro jogo do Brasil. Como os carros chegavam apenas até certo ponto, tivemos uma caminhada especial até o estádio da partida.

Nesses passos ansiosos e felizes rumo ao primeiro jogo em uma copa do Mundo, a lembrança e a gratidão daqueles outros difíceis passos do passado. Que nunca passaram. Estão intactos na memória. Movidos por um sentimento e um aprendizado especiais.

Outros passos importantes foram dados. Passos pequenos. Passos grandes. Mas todos passos! E aqueles iniciais, apressados e suados, caminham comigo até hoje. Nunca num corpo de ingratidão ou de sentimento negativo. Mas num coração de aprendizado, de estímulo e de muita gratidão.