Mão Santa?

 

17 Out

Cada vez que chamam o Oscar, grande estrela do basquete brasileiro e mundial, de Mão Santa, aparece um olhar estranho e um pensamento diferente e questionador. “Mão santa?”. Em tempos atuais bem que poderia dizer: “Sabe de nada, inocente!”.

Nem sei se todos sabem, mas o incômodo tem motivo. Ou melhor, motivos! Quando se fala em mão santa, logo se pensa em dom, em inspiração, em alguma dádiva divina. Quando na verdade, observando a história desse grande atleta, logo percebemos outros caminhos. O da transpiração. O da obstinação. O do suor.

Não à toa chegou a ser reconhecido em todo o mundo, através do hall da fama do basquete, reconhecimento máximo no mundo. Foram 49.737 pontos em 1615 jogos. A vitória sobre o Dream Team no Pan–Americano de 87 foi uma entre tantas marcas positivas e históricas do “mão santa”. Aliás, mão santa não! Mão treinada! Ta aí um termo certo pra ser utilizado quando se fala da capacidade e do talento de Oscar.

Pense numa mão treinada! No livro dele “14 motivos pra viver, vencer e ser feliz” Oscar conta que sempre foi o primeiro a chegar e o último a sair dos treinamentos. Chegava duas horas antes de cada treino as quadras. Treinava de dez a doze horas por dia. Chegou a jogar quatro partidas num mesmo dia. E depois dos treinos contava com o auxílio da esposa Cris para mil arremessos diários. Isso mesmo. Mil.

Oscar ainda conta que passou a treinar arremessos de maneiras diferentes, com situações difíceis mas possíveis de aparecer numa partida: Curvado para a direita, girando o corpo para trás e até por detrás da tabela aprendeu a arremessar. Vários pontos surgiram assim.

Do basquete para a vida vem aquelas perguntinhas sinceras- E você? Tem feito quantos “arremessos” por dia para se tornar o melhor na sua profissão? Tem treinado, se preparado com intensidade? Tem se preparado para situações “adversas” no jogo, ou melhor, na rotina? Que esforço a mais tem feito para se diferenciar e conseguir se destacar?

Querer ser campeão igual ao Oscar todos querem. E treinar da maneira do Oscar será que também? Será?

Uma vida de alto rendimento (assunto que ainda vamos falar muito por aqui) exige cada vez mais transpiração em vez de inspiração. Suor em vez de dom. Mãos treinadas em vez de mãos santas.